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11 Abril 2012

Tristeza, não!

Se ouvindo aquela música triste, não é tristeza,
vou vendo o mundo passar por mim, o céu e a certeza,
que tudo o que se digna o é,
íntegro quem escreve e quem o lê.


Passo nesse rio, sujo e esverdeado,
mais um dia se aproxima, um dia trabalhado,
sou sujeito activo, concretização,
alegria sim, tristeza não.

30 Março 2012

Sorrio feliz

Leio enquanto caminho. Não oiço o que me é exterior e vivo a história que leio, e releio: ora pelo fascínio de a acabar, ora pelo exemplo que traz à vida este heroísmo tal que não se esquece. Todavia, leio o que tanto me falta às vezes: subir essa colina até ao sucesso, a paciência e inteligência e sobretudo pertinência no momento certo. Já não vivo atrás das sombras vestindo essas roupas de devaneio, já não aceito os doces que me oferecem de mão beijada porque eu próprio os procurarei quando, como e onde eu quiser. O futuro pertence-me, escrevo isso algures. O futuro é tudo o que me segura e seguro a palavra sagrada até ao fim dos meus dias na ânsia de mostrar a verdade que vos conto. 
~
Olho de soslaio a gritaria da criançada, os murmúrios sãos da juventude, a nota mais aguda daquele rapaz ali ao fundo: sorrio. Sorrio a este sol quente que emana nesta sublime Primavera. Sorrio...feliz. 

25 Março 2012

Voar para longe

É inoportuno destruir um lar que sempre foi meu. Não sinto o mesmo, não me vejo com os mesmos olhos neste sítio que sempre foi o meu, e no entanto terei (por mais tempo) de continuar a viver tudo na exacta forma como fora até hoje - neste preciso momento. Às vezes os ponteiros batem com estrondo na vida e nos fazem aclamar essa vontade de sair, de voar, de explodir nessa adolescência doida para uma vida mais adulta e responsável e aceitei a represália de quem escolheria a vida que leva com a que tenho mas...aqui não há muito em que pensar. Vivi como têm vivido as chuvas nestes últimos Invernos: com um rumo mas algo incerto na certeza que mais um bocadinho e solto-me para outros lugares que não este que me deram. Agradeço o que aprendi mas preciso de algo diferente. Não mais, simplesmente diferente.

Faz as malas, vem comigo.

21 Março 2012

Soberbo

Quanta paciência demonstraste ter comigo por tudo aquilo que te fez impacientar (e a mim). Sabes, acordar contigo é soberbo e esqueço-me de tudo o resto nas risadas tontas que damos que parecem nunca ter fim, e que haver hora para pequenos-almoços tornou-se estranho por se confundir com a hora dos almoços ou mesmo dos lanches. É soberbo ter uma mulher como tu ao meu lado, que me compreende e se esforça para me reintegrar na vida como se me drogasse desse passado meio nublado, meio pardacento, meio cheio. Dou por mim todos os dias a imaginar todos os dias como todos os que ainda quero viver contigo e embriago-me desse teu licor com sabor a Primavera e defino-me como um homem que simplesmente não te quer perder. Termino com um sopro amargo por nem tudo correr tão bem, mas que vou vencer cada dia mais na esperança que ao final do dia te possa dar um beijo de boa noite e me permitas dormitar contigo agarrado a mim.

01 Dezembro 2011

Às vezes dou por mim a pensar: O que seria a nossa vida se pudéssemos fugir daqui? Levava-te comigo para onde nós sabemos e ia hoje mesmo de malas aviadas para lá. Já imaginaste um mundo de possibilidades que podíamos atingir? É um risco eu sei, mas seria a diferença entre o estar bem e o estar menos bem onde estamos. E digo-te que fico tremendamente contente por saber que partilhas comigo a ideia de que a mudança de ares faz sempre bem, e que ares! E que passear naqueles jardins, saborear aquela gastronomia, ver um mundo e cores completamente distintos das que estamos habituados é diferente de passear NESTES jardins, saborear ESTA gastronomia e ver sempre o MESMO mundo e as mesmas cores ao mesmo tempo. Vamos já? Vamos continuar lá a viver o amor que temos para dar um ao outro? Vamos sair desta cúpula e imaginar que só aqui voltaremos quando for estritamente necessário?

Vamos.